Não sei meu amor porque a memória se fecha quando do abismo da vida já tombaram os meus olhos na aridez da esperança. Não sei meu amor porque a memória chora, oculta se ninguém a viu nascer. Entretanto de teus olhos, águias de fogo, vem um reino eterno, de calor e significado claro e sem segredos. Fecho os meus e volta a dor na cruzada a trazer-me teus olhos num espaço sem fronteira na vertigem de teu corpo. Todo o meu desejo pressente que da lembrança recomeça o regresso da tua criação dessa tarde emocionada que me trouxe à vida tua vida transfigurada. Carlos Melo Santos