Estou à beira do mar, estou à beira de ti. Ardem no meu olhar os sonhos que não vi. Tudo em nós foi naufrágio, não quisemos saber: fizemos nosso adágio do que não pôde ser. Que resta do amor a quem é como nós? Envergonha-me pôr em verso: «somos sós; sós como amanhecer às avessas do mundo; sós como podem ser as areias no fundo; somos sós e sabê-lo é negar o pronome que de nós fez novelo e por nós se consome». Luís Filipe Castro Mendes