Olá Ana, aqui vai um pobre fruto que queria fosse para "A noite é muito escura". Não encontrando porta, aproveito esta paisagem e legenda, uma vez mais abusando do privilégio... Sei que desculparás a ligeireza e alguma pateta vaidade - a austeridade vai-se engolindo a pouco e pouco; o rastapartiça da austeridade. Pois.
Entretanto há e haverá, de quando em quando, um qualquer luar que nos inespere
Ai estas mãos
Ai estas mãos
Ai caramba estas mãos estes calos
Não parecem envelhecer,
a linha não parece acabar
Ai lluis Llach
Ai Roses Blanques ai Onades
Ai Moustaki ai Mercedes
Ai caramba meus velhos querida velha estas linhas não têm fim que eu saiba
E o tinto por tinto e a Bretanha e outros que tais
não chegam ai não chegam
Quanto ao talento, essa promessa tão antiga
não chegou nunca
(basta ler Tolstoi, esse antigo proprietário)
E não bastaria
que ser simples
e feliz
não é questão de garrafa antes fosse seria rico
sempre era uma vantagem
E o destino não existe
Não me queixo
a austeridade também se aprende
Sei lá onde acaba esta linha
Não há mas
nem campainhas
nem pontos nem vírgulas nem acordos
Rui, a porta estava escondida nessa entrada por conta de uns intrusos aborrecidos que andaram a usá-la de modo indevido.
Mas, em qualquer caso, o teu belo texto não é para ficar escondido no recato murado dos comentários, acho: deve ser posto à janela, para ser visto por quem passa.
Abraço grato pela partilha
Gracias, Ana. Sempre um prazer, vir a este teu espaço - umas vezes mais que outras, que este meu gosto não é fácil de conciliar com um universal bom gosto... Ter aqui uns textos derramados só para mim será questão não menor, privilégio e, mais que isso, partilha rara. Uma manhã sem café e sem modus é caso complicado de gerir, calculo bem. Abraço
comentários (3)
Olá Ana, aqui vai um pobre fruto que queria fosse para "A noite é muito escura". Não encontrando porta, aproveito esta paisagem e legenda, uma vez mais abusando do privilégio... Sei que desculparás a ligeireza e alguma pateta vaidade - a austeridade vai-se engolindo a pouco e pouco; o rastapartiça da austeridade. Pois.
Entretanto há e haverá, de quando em quando, um qualquer luar que nos inespere
Ai estas mãos
Ai estas mãos
Ai caramba estas mãos estes calos
Não parecem envelhecer,
a linha não parece acabar
Ai lluis Llach
Ai Roses Blanques ai Onades
Ai Moustaki ai Mercedes
Ai caramba meus velhos querida velha estas linhas não têm fim que eu saiba
E o tinto por tinto e a Bretanha e outros que tais
não chegam ai não chegam
Quanto ao talento, essa promessa tão antiga
não chegou nunca
(basta ler Tolstoi, esse antigo proprietário)
E não bastaria
que ser simples
e feliz
não é questão de garrafa antes fosse seria rico
sempre era uma vantagem
E o destino não existe
Não me queixo
a austeridade também se aprende
Sei lá onde acaba esta linha
Não há mas
nem campainhas
nem pontos nem vírgulas nem acordos
Estas mãos são o que são
Enfim tudo e nada
Soubesse eu escrever de novo e tudo corria melhor
Enfim...
Suponho
Por Rui Antunes | fevereiro 3, 2012 2:24 AM
em 03/02/2012 02:24
Rui, a porta estava escondida nessa entrada por conta de uns intrusos aborrecidos que andaram a usá-la de modo indevido.
Mas, em qualquer caso, o teu belo texto não é para ficar escondido no recato murado dos comentários, acho: deve ser posto à janela, para ser visto por quem passa.
Abraço grato pela partilha
Por ana roque | fevereiro 3, 2012 10:53 AM
em 03/02/2012 10:53
Gracias, Ana. Sempre um prazer, vir a este teu espaço - umas vezes mais que outras, que este meu gosto não é fácil de conciliar com um universal bom gosto... Ter aqui uns textos derramados só para mim será questão não menor, privilégio e, mais que isso, partilha rara. Uma manhã sem café e sem modus é caso complicado de gerir, calculo bem. Abraço
Por Rui Antunes | fevereiro 4, 2012 10:50 PM
em 04/02/2012 22:50