E pelos montes, longe nos horizontes é longa a risca da cor do açafrão: irrompe a tropa mourisca dos ventos, de assalto toma as portas grandes os observatórios nos telhados d'esmalte, dá nas fachadas de meio-dia, agita cortinas escarlates, pendões sanguíneos, papagaios de papel, abertas azuis descerra, cúpulas, formas sonhadas, os parreirais sacode, as telhas vivas aonde água de nascente pousa em potes iriados, rebentos queima, vergônteas torna em galhos, para tromba muda os vestíbulos, precipita-se sobre os gomos incertos dos jardins, pega nas folhas desertas e nos jasmins pueris – depois torna-se mais suave rufa tambores; tiras, fitas... Mas quando a Ocidente fecha as asas d'incêndio o selvagem pontifical e o último charco cliva por todo lado sobe a noite quente já à espreita. Lucio Piccolo, trad. Andrea Ragusa