A voz do olhar
O que sustenta o arco
desta ponte
são os braços e as pernas
da bailarina. A água
que ali corre derrama-se
da ânfora da cabeça e são
os seus cabelos. Se alguém
atravessar a ponte
e beber, encontra
a entrada aberta e a saída
fechada. O obstáculo
são os seios
grávidos
da bailarina. Para
além deles há apenas
o abismo. E, como alguém disse,
quando se ama o abismo,
é preciso ter asas.
Albano Martins
Publicado em 10 de Fevereiro de 2015