E então repara: Ninguém te poderá dar nunca uma pequena parte do que tenho para te dar. Nem fazes ideia das extremas imbecilidades (em boa parte dos dias), do ressonar cavo (é preciso, creio, mais que amor, para suportar tal fado), das insuficiências de cultura e de viagem; deste não saber fazer um arroz de jeito. E há toda uma série e uma falta de competências que a solidão educa. Senão vejamos: Não tendo ainda chegado os ataques de flatulência (por favor, nem não nem nunca), nem atingido o mais puro arbítrio (ainda mais letal), é certo que (neste gasto) me vou tornando cada vez menos inaugurável ,em qualquer salão (enfim, causando boa impressão). Por vezes dou por mim a palitar os dentes em público (ainda sei que não está certo, e ainda me envergonho); E tenho tiradas cada vez mais fascistas quando não vem o autocarro, à hora em que eu quero. Incomodam-me uma série de questões à volta dos refugiados (sinceramente, não sei se os queria receber se tivesse casa minha) e o mal estar do Planeta (incluída a Finlândia). Sou um parvo (mais um) com alguma meiguice. Ninguém te poderá dar, nunca, uma pequena parte do que tenho para te dar. Rui A.