Como me agradam estas vozes cansadas, escuras, pesadas, calmas como bois, grávidas de luto e de saudade e ao mesmo tempo de uma fúria contida, centrada na aspereza da glote, vozes que parecem vir de muito fundo, de se terem arrastado por muitas ruas repartidas entre o desejo e o esquecimento, vozes que vão aquecendo pouco a pouco, engrossando, empastando e cozendo até coalhar de todo consigo mesmas: são como um grande poço quase seco de onde é difícil tirar água no início, mas quando nos chega a sua fragância, que jorro de vida não supura e como ficámos impregnados e húmidos! Isso podem ser canções de taverna ou os versos de algum velho queixoso que ainda tem vontade de escrever. Àlex Susanna, trad. Egito Gonçalves