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Era um rosto

Era um rosto que a escuridão podia matar
num instante
um rosto facilmente magoado
tanto pelo riso como pela luz

"Pensamos de forma diferente à noite"
disse-me ela certa vez
languidamente recostada

E era capaz de citar Cocteau

"Sinto que há em mim um anjo" dizia
"que passo a vida a escandalizar"

Depois sorria e desviava o olhar
acendia-me um cigarro
suspirava e levantava-se
e esticava
a sua delicada anatomia

deixando cair uma meia

Lawrence Ferlinghetti, trad. Vasco Gato

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 24 de julho de 2016.

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