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Aberto ao vento

E olhar desmedidamente
os tectos
nas penumbras impossíveis
em que os olhos são alimento
de silêncios siderais
de crianças afugentadas da própria infância
de máculas irreversíveis na tela
da solidão

os pés alinhados
com o que será a narração
desse abandono
uma simbiose perfeita entre um grito
e o líquido espesso que o levará
intacto
até ao papel de um
corpo amado

não é chamamento
nem invocação desesperada
apenas a dedicatória singela
de uma vida
separada à nascença
do seu acerto
retalho cujo desconchavo
vai passando ao largo
do artesão da identidade
e da morte

e um mar inteiro para temperar
este leque de feridas
aberto ao vento

Vasco Gato

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 21 de fevereiro de 2017.

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