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um mínimo olhar teu

algures aonde nunca fui,para lá ainda bem
de qualquer experiência,os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me rodeiam,
ou que não consigo tocar por estarem demasiado próximas

um mínimo olhar teu facilmente me descerrará
ainda que me tenha cerrado como dedos,
abres-me sempre pétala a pétala como a Primavera abre
(com hábil,misterioso toque)a sua primeira rosa

ou, se for teu desejo fechar-me,eu e
a minha vida fechar-nos-emos maravilhosa e subitamente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve a cuidadosamente em toda a parte cair;

nada do que entendamos neste mundo se equipara
à força da tua intensa fragilidade:cuja textura
me compele com a coloração dos seus países,
transmitindo a morte e a eternidade a cada fôlego

(não sei o que haverá em ti que fecha
e abre;apenas algo em mim compreende que
a voz dos teus olhos é mais profunda do que todas as rosas)
ninguém,nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

E.E. Cummings, trad. Vasco Gato

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 13 de abril de 2017.

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