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Sou o que é ninguém

 Sou o que sabe não ser menos vão
 Que o vão observador que frente ao mudo
 Vidro do espelho segue o mais agudo
 Reflexo ou o corpo do irmão.
 Sou, tácitos amigos, o que sabe
 Que a única vingança ou o perdão
 É o esquecimento. Um deus quis dar então
 Ao ódio humano essa curiosa chave.
 Sou o que, apesar de tão ilustres modos
 De errar, não decifrou o labirinto
 Singular e plural, árduo e distinto,
 Do tempo, que é de um só e é de todos.
 Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
 Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

Jorge Luis Borges

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 08 de julho de 2021.

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