Mercado intervencionado Tem havido
Mercado intervencionado
Tem havido uma troca de pontos de vista bastante interessante entre o Crítico e João Miranda, acerca da economia de mercado. A meu ver, o ponto está, não na "opção" pelo modelo de mercado (a economia capitalista não conhece, ao menos nesta fase do desenvolvimento económico e social, nenhuma alternativa credível, tendo por isso o estatuto indiscutível de sistema único), mas sim na pluridade de formas de densificação interior dessa mesma economia de mercado; por outras palavras, o modelo económico único não implica (longe disso!) um pensamento político único, uma vez que há inúmeros matizes passíveis de introdução em cada regime económico, no contexto do mercado. Se o liberalismo é uma espécie de mercado radical, com um Estado ausente e indiferente, o modelo de mercado regulado, ou seja, intervencionado pelo Estado de forma indirecta, a nível económico, com objectivos de maior justica social, vai permitir que a economia de mercado não seja necessariamente promotora de um mundo de diferenças abissais entre detentores de meios de produção e excluídos sociais. O mercado não perde com uma regulação bem dimensionada, e mesmo com alguma (residual embora) intervenção directa, para que o Estado possa assegurar aos mais desfavorecidos o mínimo de qualidade de vida. O Estado só o pode fazer com dinheiro "retirado" aos possidentes por via tributária, só pode receber dos "vencedores" no jogo da oferta e da procura? Pois seja: se calhar, é isso que se chama solidariedade social. E é bem mais do que um "mal necessário".
AmAtA
--------
Publicado em 18 de Junho de 2003