Dogville Lars von Trier faz lembrar Bergman, mas (muito) mais cruel. Desencantado até ao limite com o que é inseparável da natureza humana. Um filme que é teatro, jogo de espaços e de palavras feitas pura violência, gestos da mais autêntica e decantada vileza assumidos com a maior naturalidade. O desgosto de se ser, apenas justificado por se ter de ser assim. A grandiosidade da representação, o pathos da terrena condição. O mal a jorrar da normalidade aparente. A normalidade reposta pelo mal purificador. Perverso? O inferno somos nós. Vejam. --------