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Na ausência

(tida por breve e nem por isso mais suportável)

As saudades são boa lenha para a fogueira do reencontro, escreveu-lhe, a horas de distância. A ausência é um momento apenas, o conjunto de momentos chama-se amor.
O amor, tinha ela dito na véspera, quando a noite tinha luz própria e cintilante, é o fruto do conhecimento, ao contrário da paixão, feita de atracção pelo novo e de deslumbramento pela superfície brilhante. O amor é o resultado maior da espeleologia da alma, o diamante lapidado pelo tempo e o modo da partilha.

comentários (5)

lídia:

SONETO À MANEIRA DE CAMÕES

Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.


Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que m'o Dês - pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.

Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.

Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Baruch:

Escuta Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que nos tornou atentos

lídia:

Ausentes são os deuses mas presidem
Nós habitamos nessa
Transparência ambígua,

Seu pensamento emerge quando tudo
De súbito se torna
Solenemente exacto.

O seu olhar ensina o nosso olhar:
Nossa atenção ao mundo
É o culto que pedem.

Baruch:

Eis aqui o país da imanência sem mácula
O reino que te reúne
Sob o rumor de folhagem que há nos deuses

m.:

Céus! já nem sei se escolha ler texto ou sub-texto :)

Um abraço grande à Ana, em qq caso, e parabéns aos comentadores q deveriam ter blog por conta própria pª os lermos um tanto mais ;)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 19 de janeiro de 2005.

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