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Godward

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Baruch:

Em que pensará esta mulher? Mas será mesmo que pensa? Será que esta mulher foi feita para pensar? Ou foi feita apenas para dormir como uma flor oculta que se nutre de sensações?
Esta mulher está à espera como há outras mulheres que esperam em gares de comboios, em esplanadas, em praças antigas de cidades novas.
Mas não espera por ninguém, espera apenas por si própria, espera que, a pouco e pouco, e muito subtilmente, vá deixando de ser um fantasma etéreo para se transformar finalmente numa mulher à espera de alguém numa qualquer gare de comboios, numa qualquer esplanada, numa qualquer praça antiga de uma cidade nova.
E que essa pessoa lhe traga flores para que aí consiga sobreviver.

Baruch:

Esta imagem, apesar do silêncio do mármore branco, da quietude serena da vegetação, do corpo que se deleita com pensamentos vagos, tem qualquer coisa de terrível e assustador:
A pele que outrora serviu de capa ao instinto predador do selvagem felino.

Podemos ocultar a natureza indomável, domesticá-la, atirá-la disfarçadamente para debaixo do tapete dos nossos pensamentos.
Mas ela está sempre lá para nos lembrar que existe

lídia:

Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 19 de janeiro de 2005.

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