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Fazer de conta

(gentileza de Amélia Pais)


Posso escrever um poema todas as noites
Descalçar os sapatos, pôr os pés no parapeito
Ao fresco da noite, dos choupos, dos pinheiros
Posso abrir um livro, fumar um cigarro
Enquanto os olhos vagueiam, posso interrogar-me
Sentir a culpa ou o devaneio
Um riso ontem, a dor de estar longe
Mas o mundo irremediavelmente
Não me cabe na caixa do correio
Tampouco o amor. E posso literalmente fazer de conta.

Carlos Bessa

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 15 de maio de 2007.

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