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Na hora que vem

O que foste, serás na hora que vem,
Que já não te verá como eras ontem,
Assim como serei novo, sem ser
Em nada diferente do que fui.

Este amor que ora provo (tão amargo),
Embora se desfaça no amanhã,
Fluirá para sempre um amargor...
É o resíduo que fica, a que chamamos

Saudade, que saudade é tão somente
O que fomos, sem ter porém aquilo
Que nos falta, e que tanto tivemos.

Assim seremos ambos, quando o tempo
Nos levar para longe, reduzidos
Naquilo que tivemos, sem perdê-lo.

Jorge Medauar

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 14 de junho de 2007.

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