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São os rios

(gentileza de Amélia Pais)

Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heraclito, O Obscuro.
Somos a água, não diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos esse grego
a olhar-se no rio. A sua imagem
muda na água do espelho entre as margens,
no vidro que varia, fogo cego.
Somos o rio vão, predestinado
rumo ao seu mar. De sombra está cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória não cunha moeda lesta.
E no entanto há algo que ainda resta
e no entanto há algo que se queixa.

Jorge Luis Borges

comentários (1)

Bruxa:

amo..ler este site.. quando quero viajar em poesia e pinturas...palavras são para mim como a música ...o sol, que aquece a alma quando o frio se aproxima sem avisar,não de sua natureza mas das lições de vida que nos faz crescer e perder a inocência...carpe diem
Silvia Bruxa viadinha.\~/

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 13 de junho de 2007.

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