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O Segundo Gato

Em cada gato há outro gato
um pouco menos exacto
e um pouco menos opaco.

Um gato incoincidente
com o gato, iridiscente,
caminhando à sua frente

ou ao seu lado,
o espírito alado
do que é terrestre no gato.

É o segundo gato
que permanece acordado
quando o gato está afundado

no seu sono abstracto,
aos seus pés enrolado,
espécie de gato do gato.

Ou que, mais tardo,
deambula pela sala
enquanto o gato se lava,

às vezes assomando
nos olhos do gato
como um passado imóvel e
enclausurado.
O próprio gato
não sabe

que anda por ali
algo que não cabe
dentro nem fora de si.

Manuel António Pina

comentários (3)

Ana:

Fantástico esse poema, adoro gato em verso! Muito bacana o seu blog. Um abraço.

ana r.:

Obrigada,cara Ana! Volte sempre :)

cândida:

é um gatioska :)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 29 de julho de 2007.

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