Em cada gato há outro gato
um pouco menos exacto
e um pouco menos opaco.
Um gato incoincidente
com o gato, iridiscente,
caminhando à sua frente
ou ao seu lado,
o espírito alado
do que é terrestre no gato.
É o segundo gato
que permanece acordado
quando o gato está afundado
no seu sono abstracto,
aos seus pés enrolado,
espécie de gato do gato.
Ou que, mais tardo,
deambula pela sala
enquanto o gato se lava,
às vezes assomando
nos olhos do gato
como um passado imóvel e
enclausurado.
O próprio gato
não sabe
que anda por ali
algo que não cabe
dentro nem fora de si.
Manuel António Pina


comentários (3)
Fantástico esse poema, adoro gato em verso! Muito bacana o seu blog. Um abraço.
Por Ana | julho 29, 2007 10:22 PM
em 29/07/2007 22:22
Obrigada,cara Ana! Volte sempre :)
Por ana r. | julho 30, 2007 4:48 PM
em 30/07/2007 16:48
é um gatioska :)
Por cândida | julho 30, 2007 10:09 PM
em 30/07/2007 22:09