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Tudo o que termina

Os ramos estremecem, “Tudo está consumado”. São estas as primeiras
palavras. Quem o disse? Apenas se escutou essa harmonia
como se ficássemos nela abandonados. Ela há-de ser repetida,
porque tudo o que termina precisa de ser compreendido
para sempre. As primeiras palavras parecem-se com as últimas; as folhas
estão caídas e atravessam a terra revolvida para se tornarem
diferentes. A voz que tínhamos principiado a ouvir também é a mesma
e já se tornou outra. De súbito, o tempo passa por ela. O final aproxima-se,
os lábios procuram o silêncio. Olhamos, e vemos ainda as mesmas folhas.

Fernando Guimarães

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 27 de julho de 2007.

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