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Ignoto ser

O corpo desconhece-nos E quem conhece o corpo
na sua dinâmica indolência? Será que podemos ascender
a coroa cerebral e em pura recepção
sermos o todo do ignoto ser?
Poderemos acaso consumá-lo num conhecimento que seria também o seu
e o encontro a nudez do uno a pura plenitude?
O homem constrói máquinas casas e sistemas
mas ignora as possibilidades naturais
com que poderia construir uma vida nova Ele desconhece a matéria materna
que não se destina a ser manipulada ou arrancada a si mesma
porque é o irredutível elemento do seu ser
e a irredutível fonte que o erige e o move e o alimenta
Quando erguerá ele o feixe solar das suas veias
e iniciará a era da harmonia da unidade livre
no centro dos seus poderes corporais
para que a eterna adolescente adormecida sobre o dorso da terra
abra o leque das suas falanges delicadas e o aceite
no seu leito onde o mundo começa?


António Ramos Rosa

comentários (1)

Retirava-lhe os seis primeiros versos - não estão lá a fazer nada... quer dizer, estão a estragar o poema

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 14 de outubro de 2007.

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