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Outubro

Caroço de tempestades,
Nó de cobras ardentes,
Este é um mês de chuvas cálidas
E de ventos.

Subversivo ao calendário,
Fruto amargo
Na colheita ancestral.

É sempre outono
Em outubro,
É sempre vento.

Nenhuma cintilação,
Somente o escuro

E no escuro esta sombra,
Graciosa e febril,
Dançando à luz dos raios

— o canto áspero
E o pescoço
Carregado de contas.

É sempre guerra
Em outubro,
Sempre vermelho e azul.

Sempre pendões na ponta
Das estacas
Desse campo minado
A que chamamos destino.

Myriam Fraga

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 05 de outubro de 2007.

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