« Gaudi | Main | Calar a tempestade »

Abismo

Vens a mim, te aproximas, te anuncias
Com tão leve rumor, que meu repouso
Não perturbas, e é um canto milagroso
Cada palavra que tu pronuncias.

Vens a mim, e não tremes, não vacilas,
E há ao nos olharmos atracção tão forte
Que tudo desdenhamos, vida e morte,
Suspensos só no brilho das pupilas.

Penetras calmamente em meu viver,
E te sinto tão perto do que cismo,
E há nessa possessão tão funda calma

Que interrogo ao mistério em que me abismo
Se somos dois reflexos de um só ser,
A dupla encarnação de uma só alma.


Enrique González Martínez, tradução de Renato Suttana

A sua opinião?

Acerca

Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 03 de fevereiro de 2008.

Post anterior

Post seguinte

Leia também a primeira página, faça uma pesquisa ou navegue através desta página de todos os títulos em arquivo.

pub




Arquivo

&

Primeiro endereço

© 2004/07 Ana Roque | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Movable Type | Top