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Nunca direi que te amo

Sem nenhum aviso,
as sardas de um rosto, vieram as sardas
e eram notícia de uma navegação morena;
uma voz rouquenha, como se abafasse
o grito súbito sobre este porto
de nenhum aviso.
Nunca lhe direi sobre o amor: jamais faria
declaração de posse às minhas mãos;
nenhum registro público hei de requerer
sobre meus pés; nem protocolos mandarei abrir
sobre meus braços;
mandato algum darei sobre meus olhos:
cega-me a crueldade desta posse.
De que haveria de falar, se a voz
me some nos contrastes deste aviso súbito?
Os segredos,
não os desvendarei —
as mãos, a voz, este "sim" —
porque
Ela,
subitamente a tua voz morena:
a flor, o vinho.

Soares Feitosa

comentários (2)

T:

Sonora poesia. A poesia é sem dúvida sonora como a música, não achas?

ana r.:

Acabo de publicar um poema sobre isso :)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 04 de março de 2008.

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