Sem nenhum aviso,
as sardas de um rosto, vieram as sardas
e eram notícia de uma navegação morena;
uma voz rouquenha, como se abafasse
o grito súbito sobre este porto
de nenhum aviso.
Nunca lhe direi sobre o amor: jamais faria
declaração de posse às minhas mãos;
nenhum registro público hei de requerer
sobre meus pés; nem protocolos mandarei abrir
sobre meus braços;
mandato algum darei sobre meus olhos:
cega-me a crueldade desta posse.
De que haveria de falar, se a voz
me some nos contrastes deste aviso súbito?
Os segredos,
não os desvendarei —
as mãos, a voz, este "sim" —
porque
Ela,
subitamente a tua voz morena:
a flor, o vinho.
Soares Feitosa


comentários (2)
Sonora poesia. A poesia é sem dúvida sonora como a música, não achas?
Por T | março 6, 2008 1:43 PM
em 06/03/2008 13:43
Acabo de publicar um poema sobre isso :)
Por ana r. | março 6, 2008 1:46 PM
em 06/03/2008 13:46