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Tríptipo


I
tudo o que possuis
a alma, o pomar da lascívia

a fome de palavras
a sede de volúpia

a sentença lavrada
na poeira dos arquivos:

tudo cabe, poeta,
dentro de uma gaveta.


II
o olho da serpente
passeia na treva
o seu fulgor breve

lambe o odor da presa
entre folhas mortas

mastiga as horas
e uma ceia de besouros.


III
somos apanhados
numa teia de mitos

nada sabemos da alma
e do logaritmo binário

entre conchas e búzios
baionetas e obuses

a esfinge nos espreita
nos decifra e devora.

Francisco Carvalho

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 04 de março de 2008.

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