Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão-Ferreira


comentários (4)
Belo poema! Li dele há pouco tempo o Um amor feliz. Encantador.
Por vbm | março 17, 2008 9:14 AM
em 17/03/2008 09:14
Esse romance foi um autêntico sucesso,quando foi publicada, ainda em vida do autor. É de uma elegância narrativa notável...
Por ana r. | março 17, 2008 9:30 AM
em 17/03/2008 09:30
Eu via-o nos cafés, sempre empolgado nalguma conversa. Há tempos vi o filho num programa qualquer da televisão, parecidíssimo com o pai! Curiosamente, conhecia também dos cafés o Pedro Homem de Melo, o Eugénio de Andrade e o Jorge Barbosa (caboverdeano). :)
Por vbm | março 17, 2008 12:13 PM
em 17/03/2008 12:13
Cafés bem frequentados, caro vbm ;) E é verdade que o David Ferreira é uma simpática réplica fisionómica do pai.
Por ana r. | março 17, 2008 7:11 PM
em 17/03/2008 19:11