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Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

comentários (4)

vbm:

Belo poema! Li dele há pouco tempo o Um amor feliz. Encantador.

ana r.:

Esse romance foi um autêntico sucesso,quando foi publicada, ainda em vida do autor. É de uma elegância narrativa notável...

vbm:

Eu via-o nos cafés, sempre empolgado nalguma conversa. Há tempos vi o filho num programa qualquer da televisão, parecidíssimo com o pai! Curiosamente, conhecia também dos cafés o Pedro Homem de Melo, o Eugénio de Andrade e o Jorge Barbosa (caboverdeano). :)

ana r.:

Cafés bem frequentados, caro vbm ;) E é verdade que o David Ferreira é uma simpática réplica fisionómica do pai.

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 16 de março de 2008.

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