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Veneno

a poesia envenenou-me
já não há mais tempo

a lua investirá com seus chifres
e as cebolas no escuro despertarão
o olho do coração

da cadeira
de balanço
a Paciência contempla a penugem dourada das horas
enquanto um gato dorme
sobre sua cabeça

uma tempestade de diamantes
arremessará suas flechas
sobre o Estreito de Magalhães

exatamente assim
passará um milênio

Ruy Proença

comentários (1)

vbm:

:) O que será que faz sorrir benignamente esta confissão!?
Reconhecer o efeito venenoso da poesia, que imobiliza a passagem do tempo
com a consequência mágica de o esgotar, na insensibilidade dos milénios que se sucedem...? :)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 16 de abril de 2008.

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