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Finis terræ

O não dito
e já ignorado
que se esconde
à margem
do sentido.

O esquecido
e logo reinventado
que some
entre os tons
da manhã
entretecido.

O que visto,
e logo descartado,
emerge imprevisto
em um grito.

O grafado
mas não compreendido
que se furta à deriva
do vivido.

A brisa
que não comunicada
passa sem querer
ser ouvida.

A paisagem
não litografada,
a enseada
que olhar nenhum revisa.

O olvido
do que sempre arquivado
não guarda mais
lastro dos vivos.

O presente
nunca registrado,
tempo inócuo
que a carne
não cicatriza.

Onda breve
dentre muitas consumada
que se arma
contra todo imperativo.

A fragrância
há muito evaporada,
ave rara
que no ar desfila
intangível.
Uma palavra
que, esquecida,
vive à larga
da folha
que a mantém
cativa.

O mundo
que nos lábios
se deflagra
e morre
em um murmúrio
não em um
estampido.

Rodrigo Petronio

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 09 de maio de 2008.

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