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Ouropel

Sintoniza a frequência do bosque e ouvirás
o veado a respirar; um músculo a retesar-se; o suspiro
de um arganaz debaixo de uma coruja. Agora

escuta-te a ti mesmo — essa fricção — o investir e o arrastar,
a dupla pulsação, o tambor. Consegues ouvi-lo, nitidamente.
Consegues ouvir o som do teu corpo, a ir-se abaixo.

Se estiveres muito calado, talvez apanhes a derrota: ou antes
o magro ruído que a derrota produz — a perdição.
Se estiveres completamente calado.

E, porém, não consegues ouvir nada
senão o som do nada: essa voz
e o seu malbaratar-se, o ouropel da alma. Escuta... Escuta...

Robin Robertson, trad. Vasco Gato

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 22 de outubro de 2015.

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