Sintoniza a frequência do bosque e ouvirás o veado a respirar; um músculo a retesar-se; o suspiro de um arganaz debaixo de uma coruja. Agora escuta-te a ti mesmo — essa fricção — o investir e o arrastar, a dupla pulsação, o tambor. Consegues ouvi-lo, nitidamente. Consegues ouvir o som do teu corpo, a ir-se abaixo. Se estiveres muito calado, talvez apanhes a derrota: ou antes o magro ruído que a derrota produz — a perdição. Se estiveres completamente calado. E, porém, não consegues ouvir nada senão o som do nada: essa voz e o seu malbaratar-se, o ouropel da alma. Escuta... Escuta... Robin Robertson, trad. Vasco Gato