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Refutação Pacífica da Beleza

1. esquema

Na História
símbolos de civilização

na memória
miséria e desespero

não há poesia
no ideal

2. panorama

No alto das casas da cidade
vejo os telhados divididos em dois
luz - sem luz
das casas conhecidas demais

No alto dos telhados da cidade
olho os quartos fechados
e vejo os quartos abertos
divididos em dois

Por dentro dos dois quartos que habito
vejo distintamente
todos os homens divididos em dois
fazendo equilíbrios forçados

Vejo por dentro de toda a escuridão
a nossa vida toda retalhada
em dois enormes pedaços retalhados

3. factos

Desde que há mais do que um homem
o Belo já não chega.
As mãos são supérfluas
desde que há mais do que um homem no mundo.
Foi por isso que Abel matou Caim matou Abel
e o fogo invisível
queimou o espírito novo.
Se me olhas nos olhos
não me olhas - devoras-me, meu irmão.
Se penso em ti, destruo-te.
Para que a pura beleza em movimento possa reinar
aprendemos as guerras.
Mas na paz a beleza não chega.
É necessário inventar outra forma de destruição.

E.M. de Melo e Castro

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 17 de julho de 2016.

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