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Que importa a gramática das coisas

São poucas as palavras que restam,

e asseguro-te que estou bêbado que nem um cacho

(algo muito relativo, nem por isso mas vai bem ao drama);

 

Enfim, que importa aos mouros,

entre tantas pelejas inauditas,

que te sopre o amor dos derrotados

(daqueles que foram os mais viris entre os viris).

 

Eles, os mouros, me derrubarão do cavalo;

eles me tornarão inútil a espada,

eles farão da fé uma coisa vaga

(com sorte, não estarei para ver, deve ser terrível).

 

Não sei se sabem, suponho que saibam

(em quase todas as vidas é assim),

das dores efémeras, que são sempre,

dos desejos entreabertos,

de tudo e mais alguma coisa.

 

Certo, certo,

derrubaram meu cavalo,

e espetei-me no chão.

Acrobático.

 

Perante isso, que dizer?

 

Alguma superioridade, em ter sido, sem ter ido?

algum nome em ponte, nem que fosse do mais pequeno rio

(sei lá, a justificar qualquer coisa aos primos)?

 

Cavalo sem fortuna,

para lá de mapas, para lá de tempos,

bati-me mais ou menos,

sem outros predicados

(no meu dizer das cousas, tudo isto é muito).

 

Não falei, no entanto,

dos teus cabelos

 

Sir Thomas Berard

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 20 de abril de 2017.

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